Comentário ao Evangelho do Dia – Terça-feira da 32ª Semana do TC

12 de novembro de 2019 00:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

Lc 17,7-10

Diante de Deus ninguém deve ter a pretensão de reivindicar direitos e de exigir recompensas. Assim como é absurdo se colocar na posição de quem manda em Deus, é igualmente um delírio de soberba e de arrogância achar que Deus seja o nosso devedor por nós termos feito o que Ele nos mandou. A nossa relação com Deus não é a das trocas comerciais.

Deus não nos impõe mandamentos a serem cumpridos para, depois, nos conceder créditos e recompensas. Nossa relação com Deus não é a relação com um plano de fidelidade: conforme vamos cumprindo os mandamentos, acumulamos pontos que, depois, podem ser trocados por recompensas. Quem assim pensa a sua relação com Deus, não entendeu nada do cristianismo.

A leitura do Evangelho de hoje, na sua crueza e dureza, é um antídoto para esse tipo de mesquinhez que pode envenenar e destruir nossa relação com Deus.

A nossa posição diante de Deus é a do escravo que recebe a ordem que o Senhor lhe deu. O escravo não tem direito ao pagamento. Por isso, se ele obedece ao seu senhor não é porque deseja receber pagamento, mas porque reconhece que deve obedecer. Da mesma maneira, o verdadeiro discípulo de Cristo obedece a Deus simplesmente porque reconhece Deus como o seu Senhor e que lhe compete estar sempre ao seu serviço. O cristão obedece porque reconhece que vale a pena realizar o que Deus manda porque Ele é Deus. O cristão nunca pensa que Deus possa ser seu devedor, por mais que tenha cumprido até o fim a sua vontade. Reconhece-se servidor e não se importa nem com a recompensa nem com o castigo.

Posso servir a Deus por medo do castigo. Mas essa é a atitude do escravo. Posso servir a Deus por causa da recompensa, mas essa atitude converte Deus em meu devedor e perverte a relação com Deus numa relação interesseira. Posso servir a Deus porque o reconheço Deus e a mim mesmo como seu servidor. Sirvo-o não por medo do castigo nem pelo interesse na recompensa, mas por causa dEle mesmo. No fim das contas, sirvo-o porque o amo como Deus, não amo suas recompensas nem o temo pelos seus castigos.

 

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