Comentário ao Evangelho do Dia – Solenidade da Santíssima Trindade

16 de junho de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

Tente imaginar a dificuldade de explicar a uma criança de cinco anos um problema de física quântica. Em sã consciência, ninguém cometeria a temeridade de sobrecarregar a inteligência de uma criança com uma matéria tão exigente. Sabemos que há uma desproporção muito grande entre o problema de física quântica e a inteligência da criança. Pois bem, entre a inteligência humana e o mistério da Trindade há uma desproporção infinitamente maior.

Estamos diante do mistério de Deus: não basta a inteligência. É preciso mergulhar nesse mistério sustentados pela oração e pela contemplação.

Quando, porém, chegou a plenitude do tempo, enviou Deus o seu Filho, nascido de uma mulher, nascido sob a Lei, para remir os que estavam sob a Lei, a fim de que recebêssemos a adoção filial. E porque sois filhos, enviou Deus aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai! (Gl 4,4-6).

Convém observar de imediato que esse texto da Carta aos Gálatas não discorre teoricamente sobre a doutrina da Trindade, mas simplesmente proclama o fato admirável da revelação do Mistério de Deus na história Salvação.

1 – São Paulo narra em poucas e densas palavras que, num determinado lugar e tempo (“a plenitude do tempo”), veio Jesus de Nazaré, que se revelou como um homem enviado de Deus (“nascido de mulher, nascido sob a Lei”) e, ao mesmo tempo, como Filho de Deus, como Alguém distinto e igual ao Pai (por isso foi enviado “para remir os que estavam sob a Lei”).

Os discípulos e os Apóstolos de Jesus descobriram que Ele é, de fato, o enviado de Deus, e que esse enviado se revelou também Filho e Deus em pessoa, capacitado, portanto, a nos dar “a adoção filial”.

2 – São Paulo ainda acrescenta que Deus enviou o “Espírito de seu Filho”, anunciando-o como um “Outro” distinto e unido a Deus Pai e ao Filho. Em outras palavras: o Espírito Santo é um Outro tão consistente e divino como o Filho e o Pai.

3 – A partir desses dados, chegamos, portanto, ao conhecimento dos Três distintos e intimamente unidos: Um (o Pai) enviou ao mundo os Outros dois (o Filho e Espírito). Como podemos notar, não se trata de uma revelação teórica ou didática, mas da confissão e do testemunho de um mistério de doação real acontecida na história.

4 – O texto paulino fala claramente de duas missões salvadoras: o Filho e o Espírito Santo foram enviados por Deus Pai. Essas duas missões trinitárias têm a mesma origem (Deus Pai) e o mesmo fim (a nossa filiação adotiva).

5 – Além de terem a mesma origem e a mesma finalidade, as duas missões trinitárias estão em mútua relação. Deus Pai toma a iniciativa em enviar Jesus, seu Filho, ao mundo, e em enviar o Espírito de seu Filho aos nossos corações. O amor de Deus pelos homens é a única razão do envio do Filho: “Nisto se manifestou o amor de Deus por nós: Deus enviou o seu Filho único ao mundo para que vivamos por ele” (1Jo 4,9; cf. Jo 3,16).

6 – As características dessas duas missões (que tem a mesma origem e a mesma finalidade) são bem distintas. A missão do Filho coincide com a sua encarnação para assumir e partilhar a vida dos homens (“enviado no tempo e nascido de mulher, nascido sob a Lei”). Porque consiste na entrada do Verbo eterno na história humana, a sua missão é marcada pela visibilidade, ou seja, é um acontecimento pontual e circunscrito no tempo e no espaço.

7 – A missão do Espírito, pelo contrário, tem um caráter invisível: não pode ser delimitada no tempo e no espaço, uma vez que Ele é enviado ao coração de cada fiel (Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abba, Pai!).

 

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