Comentário ao Evangelho do Dia – Sexta-feira da 3ª Semana da Páscoa

10 de maio de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Jo 6,52-59

Chama a atenção de todos o realismo das palavras de Jesus. Para os judeus era uma coisa escandalosa ouvir a afirmação segundo a qual deveriam comer a carne de Jesus. Também a nós estas palavras soam de modo muito duro: “como pode ele dar-nos a sua carne para comer?”.

 

Carne e sangue equivalem à totalidade do ser humano (Mt 16,7; 1Cor 15,50). A articulação em dois elementos constituintes permite o simbolismo do comer e do beber. No AT “comer a carne” significava hostilidade destrutiva ((Is 9,19; Sl 27,2), canibalismo desesperado (Jr 19,9); ser comida a carne e bebida o sangue é o final macabro das hostes de Gog (Ez 39,17). Não é de estranhar que o ensinamento de Jesus tenha escandalizado aqueles que caem no equívoco de entender materialmente as suas palavras.

 

Jesus poderia ter atenuado a dureza das palavras. Na primeira parte do seu discurso Ele tinha falado principalmente da fé: o pão da vida é o pão da fé, fé necessária para ser atraído pelo Pai. Poderia ter explicado que não se tratava de comer a sua carne, mas de aderir a Ele na fé.

 

Em vez de abrandar suas palavras, Jesus escolheu insistir no seu realismo: “Se não comeis a carne do Filho do Homem e não bebeis do seu sangue não tereis a vida em vós”. Com estas palavras Jesus nos revela a importância do sacramento em nossa vida.

 

Jesus não nos deixou somente a fé; deixou-nos também o seu corpo e sangue e toda uma estrutura que forma seu corpo, que é a Igreja. Isto significa que nós temos de ir até Ele como se vai a alguém que é externo a nós, não somente como alguém que vive no íntimo de nós mesmos. Há sempre, na vida espiritual, a tentação de crer que tudo aconteça no íntimo da alma e que as coisas exteriores não tenham importância. Pelo contrário, Jesus insiste tanto na adesão subjetiva quanto na adesão objetiva a Ele. A fé tem uma expressão externa. Comer a carne e beber o sangue do Filho do Homem é algo que vai contra a mentalidade secularista que deseja fazer desaparecer todo sinal de realidade sagrada.

 

Na eucaristia, Jesus se entrega como alimento da vida participada do Pai e que ele comunica aos fiéis. “Comer e beber”, porém, não são atos puramente mentais, pois a eucaristia é “verdadeira comida e bebida”. Este é o realismo sensível do sacramento.

 

A Eucaristia não é um puro rito externo, mas é uma realidade que recebemos do exterior e se torna em nós alimento de vida interior.

 

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