Comentário ao Evangelho do Dia – Sexta-feira da 22ª semana TC

6 de setembro de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Lc 5,33-39

 

 

Durante o ministério público, Jesus e os seus discípulos não jejuam. Por que? Essa pergunta é feita pelos doutores da Lei e pelos fariseus. O jejum era uma prática religiosa importante, e os mestres da lei e os fariseus observam que também os discípulos de João jejuam.

 

A resposta de Jesus é um convite a uma mudança de perspectiva: em vez de se preocuparem com a observância rigorosa das práticas e das tradições religiosas, exorta os chefes religiosos a prestarem atenção na relação pessoal com Deus. Em outras palavras: convida-os a passarem da preocupação com as normas para a relação pessoal com o noivo. A presença do esposo torna o jejum uma prática anacrônica. Jesus é o noivo, e as núpcias são o tempo da alegria compartilhada. Por isso, não é tempo de jejuar. O jejum só voltará a ser praticado quando o noivo for tirado do meio dos discípulos. Dessa forma, Jesus põe a prática religiosa do jejum em estreita relação com a sua presença ou sua ausência. O jejum não é mais uma norma impessoal a ser seguida, mas é uma prática que estreita a relação pessoal com Jesus.

 

Estamos no tempo da “ausência do noivo”: tempo da presença sacramental de Jesus na Palavra, nos sacramentos, na comunidade reunida em seu nome, nos pastores que Ele colocou à frente de seu rebanho, nos pobres e na caridade fraterna. É uma “ausência” que é uma presença e que durará até a segunda vinda de Cristo. Até lá a Igreja fará jejum para estar unida ao esperado e amado noivo que virá.

 

No Novo Testamento, todas as instituições se tornam secundárias, também aquelas mais sagradas: é o caso do jejum, do sábado, do dízimo… A precedência é sempre da relação com as pessoas sobretudo com a de Cristo. É a relação com Cristo que é o fundamento de todas as instituições. Na Igreja tudo depende absolutamente da relação com Cristo. É por isso que jejuamos: esperamos o amado que vem ao nosso encontro.

 

Alegremo-nos porque somos continuamente chamados a aprofundar nossa relação pessoal com Cristo em vista da plenitude da vida e do amor.

 

 

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