Comentário ao Evangelho do Dia – Segunda-feira da 22ª semana TC

2 de setembro de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Lc 4,16-30

 

 

O episódio a pregação de Jesus na sinagoga de Nazaré tem um valor programático. Na pregação de Jesus está todo o programa de seu ensinamento e de sua vida. Por isso, é importante que compreendamos bem o significado das palavras que Jesus profere na Sinagoga de Nazaré.

 

A pregação de Jesus tem dois momentos bem diferentes. Em um primeiro momento Jesus lê a profecia de Isaías e declara que tal profecia se cumpre com a sua presença. De fato, Jesus proclama o ano da graça do Senhor. A reação dos nazarenos é muito positiva: todos davam testemunho a seu respeito, admirados com as palavras cheias de encanto que saíam da sua boca. Todos ficaram encantados com Jesus.

 

Em um segundo momento, porém, Jesus continua a pregar, citando o exemplo dos profetas Elias e Eliseu, que realizaram milagres em favor dos pagãos. Nesse segundo momento, a reação dos nazarenos é muito negativa: todos na sinagoga ficaram furiosos… expulsaram Jesus da sinagoga e o levaram até ao alto do monte… com a intenção de lançá-lo no precipício.

 

Como podemos explicar essa repentina mudança nos nazarenos? Para entender essa reviravolta é preciso compreender os sentimentos dos conterrâneos de Jesus. Quando dizem, depois da primeira intervenção de Jesus: Não é este o filho de José? – não o dizem como forma de desprezo, mas com a intenção de afirmar que esse novo profeta pertence a eles. A atitude dos nazarenos exprime um sentimento de posse e de controle. Ora, se Jesus pertence a eles, então ele deve reservar para os nazarenos um lugar de privilegiado no seu ministério. Por ser um conterrâneo, acham que Jesus deva fazer mais milagres para eles. Pretendem ter posse de Jesus e de controlar a sua ação.

 

Jesus responde a essa pretensão de privilégio e de posse que nenhum profeta é “bem recebido em sua pátria”. Essa expressão poderia ser melhor traduzida assim: nenhum profeta é propriedade de sua pátria. Por isso Jesus cita o exemplo de Elias e Eliseu: eles não foram propriedade exclusiva do povo eleito; pelo contrário, a ação profética deles beneficiou também os pagãos.

 

Jesus exige dos nazarenos que renunciem a essa pretensão de posse e que abram o coração para outras pessoas, que não queiram monopolizar a ação de Jesus somente para os seus conterrâneos. Uma vez que Jesus, não aceita ser controlado pelos nazarenos, estes reagem, mudando a admiração para o ódio violento: quanto maior é o afeto possessivo maior é a reação de ódio.

 

Não podemos amar Jesus de maneira possessiva, pretendendo ter privilégios e graças maiores do que os outros.

 

 

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