Comentário ao Evangelho do Dia – São Pedro e São Paulo – Solenidade

30 de junho de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Mt 16,13-19

Celebramos hoje o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo. Eles foram mortos na perseguição de Nero mais ou menos no ano 64. Através desses dois apóstolos, a Igreja celebra hoje a sua apostolicidade: a Igreja de Cristo, a verdadeira Igreja é una, santa, católica e apostólica.

 

O que significa que a Igreja é apostólica?

 

Dizer que a Igreja é apostólica significa que sua origem está relacionada aos apóstolos. Ela não começou no século passado, não foi fundada por qualquer um. Significa também que, para chegar a ter comunhão com o Pai, o Filho e o Espírito Santo não há outro caminho a não ser aceitar o testemunho daqueles que, desde o princípio viram o Senhor e conviveram com Ele. Dizer que a Igreja é apostólica é dizer que a Igreja católica está fundada sobre os apóstolos e reconhecer com gratidão que vivemos na Igreja que tem sua origem na Igreja dos Apóstolos.

 

Por que os apóstolos são importantes para a Igreja?

 

Isso se deve à originalidade da revelação cristã. A revelação não se fundamenta, em primeira instância, sobre um texto sagrado. Isso acontece, por exemplo, com o Islã que tem uma “Escritura que desceu de Deus”, que disse ao profeta: “Fizemos descer sobre ti a Escritura” (Corão, Sura 39,1-2). No Islã, é o texto e não Maomé o lugar próprio da Palavra de Deus.

 

No cristianismo, pelo contrário, a revelação de Deus não é primeiramente um livro, mas a pessoa e a vida histórica de Jesus de Nazaré. Jesus, porém, não escreveu, não ditou, nem trouxe consigo um documento sagrado: Ele nada escreveu nem nos entregou um livro vindo do céu.

 

A revelação divina é realizada na pessoa e na história de Jesus e tal revelação pôde chegar até nós somente porque existiram homens que viveram com Ele e que testemunharam para nós tudo o que Ele disse e fez: como viveu, como morreu, como apareceu para eles, depois da morte, ressuscitado. Esses homens que receberam o Evangelho diretamente de Jesus são os Apóstolos. A Igreja atual, a Igreja na qual vivemos, descende da Igreja dos Apóstolos: nós estamos unidos a Jesus Cristo, ao Pai e ao Espirito Santo pela cadeia ininterrupta de testemunho que se origina nos Apóstolos e chega até nós pelos sucessores dos apóstolos que são os bispos.

 

O evangelho de hoje nos fala da confissão de Pedro em Cesaréia de Filipe. Como essa confissão chegou até nós. Chegou até nós pela cadeia ininterrupta de testemunho dos apóstolos e de seus sucessores; chegou até nós pela sucessão apostólica. A transmissão da fé não é um processo mecânico de comunicação. A fé apostólica é uma vida que só pode ser transmitida por meios vivos e não por meros meios mecânicos ou virtuais.

 

O texto de hoje fala da confissão de Pedro em Cesaréia de Filipe. Mais ainda, fala da confissão de Jesus. Pedro confessa que Jesus é o Messias, o Filho de Deus; Jesus confessa que Simão é Pedro, pedra sobre a qual edificará a sua Igreja. A Igreja não é uma sociedade de pessoas que decidiram se associar por iniciativa própria para um determinado fim. A Igreja é fundada sobre a fé de Pedro: tu és o Messias, o Filho de Deus. É essa adesão a Cristo que cria entre as pessoas uma nova relação.

 

Jesus confessa que a fé de Pedro não provém dos homens, mas é uma revelação de Deus. Assim a Igreja fundada sobre Pedro é uma convocação para a fé de Pedro.

 

A função de Pedro não é meramente honorífica, não é a recompensa de Jesus pela sua confissão de fé. A função de Pedro é um serviço que inclui ligar e desligar. Jesus promete a Pedro que ele terá as chaves de acesso ao Reino de Deus e terá o poder de julgar, perdoar e condenar. Tudo isso será ratificado por Deus: o que ligares na terra será ligado nos céus, o que desligares na terra será desligado nos céus.

 

Pedro e Paulo foram chamados por Jesus para levar o evangelho a todas as nações. Mas esse evangelho não é um primeiramente um livro, é o próprio Jesus vivo. E Jesus vivo só pode ser levado por pessoas vivas, que vivem a vida de Jesus. Assim é o bispo para a Igreja: ele não é um mero comunicador de uma mensagem bonita. Ele leva Cristo, sendo Cristo para as pessoas. Evidentemente ele nunca deve ter a pretensão de se substituir a Cristo, mas não há outro meio de ser portador do evangelho a não ser tornando presente Cristo.

 

Admirável dom! Dom maravilhoso esse! Ao mesmo tempo, quanta responsabilidade! Pois se o recebemos, podemos também tratar esse dom com relaxo e desprezo: é como atira as pérolas aos porcos, ou dar as coisas santas para os cães. Fazemos isso toda vez que não empenhamos tempo, esforço e energia para corresponder ao dom recebido. Não há como exercer o ministério sacerdotal (ser o Cristo para os outros) sem santidade pessoal (ter os mesmos sentimos de Cristo e identificar-se com Ele). A identidade do bispo consiste no dom de Jesus: no dom de ser Jesus para os outros, e no dom de se empenhar de verdade em se identificar com Cristo ao longo de toda a vida.

 

 

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