Comentário ao Evangelho do Dia – Quinta-feira: Solenidade do Corpo e Sangue de Cristo

20 de junho de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Lc 9, 11-17

 

Hoje nós somos convidados a entrar na sala para estar com Jesus, para comer com Jesus, para fazer a ceia com ele. Pedimos ao Senhor que, pela sua Palavra, Ele nos explique este grande mistério da Eucaristia e da Igreja: o mistério dEle e nosso! Sim, se trata do mistério da presença de Jesus, presença sacrifical, presença que se dá a nós, e se trata do mistério que nós somos: somos a Igreja, somos a esposa, somos os discípulos missionários alimentados pelo próprio Jesus.

 

Jesus nos explica: ele fala do pão que se torna corpo. Paulo nos explica: a Igreja é o Corpo de Cristo! O pão é o próprio Jesus! Nós somos o próprio Jesus! Mistério da fé! Que relação existe entre o Pão consagrado e a Igreja Corpo de Cristo? Que relação há entre a presença real de Cristo no pão e vinhos consagrados e na Igreja reunida?

 

Santo Agostinho dá uma resposta: “é o vosso mistério que se celebra no altar do Senhor, uma vez que sois o corpo de Cristo e os seus membros; vós recebeis o vosso próprio mistério e respondeis “amém” àquilo que vós sois e, respondendo, vós aceitais vossa identidade. Sé membro do corpo de Cristo, de modo que teu “amém” possa ser verdadeiro (Serm. 272; OL 38,1246).

 

Sobre o altar se celebra o nosso mistério. O “amém” que pronunciamos na comunhão é um amém dito a Cristo, mas é também um amém dito à Igreja e aos irmãos.

 

Nós sabemos que sobre o altar o Cristo-cabeça está realmente presente. Jesus disse: Isto é o meu corpo dado por vós. Isto é o meu sangue derramado por vós. Não é mero sinal que aponta; é a realidade de Jesus. Dizemos amém a Jesus e não a um mero sinal. A sua pessoa damos o nosso sim e não a uma sua representação. Dizemos sim ao próprio Jesus e não a um sinal que recorda a sua pessoa.

 

Sobre o altar está presente o símbolo de nós mesmos, a Igreja. A Igreja está presente não realmente, mas de maneira mística. Mística no sentido de presença em virtude da íntima conexão com Cristo. A Igreja (ou seja, nós) está tão unida a Cristo como os membros à sua Cabeça. Por isso dizemos que somos membros de Cristo-cabeça que sobre o altar está realmente presente Cristo cabeça e misticamente está presente a Igreja. Sobre o altar está presente o corpo real de Cristo e o corpos místico de Cristo que é a Igreja. São dois corpos? É o mesmo Cristo, mas presente sob a forma real da eucaristia e sob a forma mística do seu corpo.

 

O Cristo que recebo na comunhão é o mesmo Cristo que se dá aos meus irmãos e irmãs; é o mesmo Cristo indiviso que se doa ao meu irmão que está ao meu lado. Assim a eucaristia nos une entre nós, porque é o único Cristo que vem a mim e aos outros. Por isso, estou unido aos meus irmãos formando com eles o Corpo místico de Cristo.

 

Sobre o altar está o mistério de Cristo e de nós mesmos. Dizemos “amém” ao mistério de Cristo e ao mistério de nós mesmos. “Amém” a Cristo presente na eucaristia e que recebo na comunhão. “Amém” ao Cristo Cabeça e membros, ao Corpo místico de Cristo que é a Igreja e que somos nós mesmos. “Amém” porque recebemos Cristo e a nós mesmos! “Amém” porque queremos ser o Corpo de Cristo nos amando e nos sacrificando pelos outros como fez Cristo. “Amém” a Cristo que nos amou até o ponto de sacrificar a própria vida. “Amém” a Cristo que se dá a nós totalmente. “Amém” ao Corpo místico de Cristo que no cotidiano morre para si para a vida dos outros. “Amém”, meu irmão e minha irmã, eucaristizado pela eucaristia que eucaristiza este mundo.

 

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