Comentário ao Evangelho do Dia – Quinta-feira – Solenidade da Assunção de Nossa Senhora – Nossa Senhora da Ponte

15 de agosto de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Lc 1,39-56

 

 

O evangelho que acabamos de ouvir nos mostra como essa união com Cristo (sua concepção virginal) se desdobra no anúncio e no serviço. “Ela foi apressadamente…”.

Este breve relato mostra quais são as características da ação da jovem Maria: ela é capaz de um amor atento, concreto, alegre e terno.

 

Seu amor é atento: Maria não precisa de pedidos para compreender a necessidade da prima Isabel, de idade madura e à espera de um filho. Intui a necessidade e corre ao seu encontro: seu olhar, nutrido de amor, compreendeu o que se devia fazer muito além de qualquer comunicação verbal. “Ubi amor, ibi oculus”: onde existe o amor, o olho vê aquilo que um olhar sem amor não sabe ver.

 

À atenção, Maria une a concretude: não perde tempo sonhando com boas intenções. Age com prontidão. A expressão “apressadamente” (v. 39) fala da solicitude e da urgência com que concretiza a decisão de ir ajudar a Mãe de João. Santo Ambrósio comenta: “A graça do Espírito Santo não tolera delongas” (Expositio in Evangelium secundum Lucam, 2,19)!

 

Depois, o amor de Maria é perpassado de alegria: ela não realiza seus atos como cumprimento pesado de um dever ou como obediência a uma obrigação imposta pelas circunstâncias. Nela tudo é gratuidade, bem que se difunde, generosidade vivida sem cálculo ou constrangimentos. A sua alegria (evangelii gaudium) consiste em se sentir tão amada que percebe a obrigação de amar como um corresponder ao amor recebido.

 

Exatamente por isso, tudo em Maria se vive em plenitude a ternura, isto é, o amor que gera alegria, que não cria distâncias nem cria dependência. O amor de Maria não é somente alegre, o seu amor enche o outro de alegria, enche o outro com o espanto e a beleza de se descobrir objeto de puro dom. “Como mereço que a mãe do meu Senhor venha me visitar? Logo que a tua saudação ressoou nos meus ouvidos, o menino pulou de alegria no meu ventre” (v. 43s). Ternura é dar despertando alegria no amado: quem não ama com ternura, cria dependências ou mantém distâncias nas quais é impossível desencadear a alegria.

 

Nisso tudo, a fé de Maria, que se irradia na caridade, é um modelo para nós, especialmente nas relações familiares e comunitárias.

 

É esse o mistério que a liturgia de hoje proclama: “Aurora e esplendor da Igreja, ela é consolo e esperança para o vosso povo ainda em caminho, pois preservastes da corrupção da morte aquela que gerou vosso Filho feito homem”.

 

Notem que a liturgia fala da Assunção como nosso consolo e esperança. A assunção de Maria revela qual é a vontade de Deus, qual é o seu desígnio, qual é o seu desejo em relação a nós: é a nossa glorificação em corpo e alma, de todo nosso ser, não somente de uma parte de nós. O que exaltamos em Maria é, ao mesmo tempo, a expressão de nossa esperança no desígnio de Deus. A Assunção é confirmação e realização antecipada do nosso destino de salvação. Deus revela não só com palavras, mas também com fatos a sua vontade.

 

Viver neste mundo servindo e amando Deus, viver unido com Jesus Cristo, viver como Maria viveu nos levará a sermos glorificados em corpo e alma como aconteceu com Cristo e como aconteceu com Maria.

 

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