Comentário ao Evangelho do Dia – 4º Domingo da Páscoa C

12 de maio de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Jo 10,27-30

 

Jesus revela a sua verdadeira identidade. Há muito tempo os adversários de Jesus queriam uma resposta clara: Ele é ou não o Messias?

 

Os adversários de Jesus têm finalmente a oportunidade de por Jesus contra a parede para exigir com a máxima clareza a resposta decisiva: “Até quando nos deixarás em suspenso? Se tu és o Cristo, dize-nos abertamente” (10,24).

 

Sabemos que Jesus é de fato o Messias, mas uma resposta semelhante poderia ser mal-entendida. A figura do Messias estava muito contaminada com elementos políticos que contradiziam a própria identidade de Jesus.

 

Jesus responde que ele já respondeu a essa pergunta. Já respondeu claramente tanto através das palavras quanto das suas obras: ele é, de fato, o Messias; um Messias não conforme as pessoas imaginam. Jesus é muito mais do que as pessoas pensam sobre o Messias. Por isso para acolher o mistério da missão e da identidade de Jesus é preciso a abertura da fé. Sem abertura da fé é impossível entender quem é Jesus e, mais ainda, aceitar a salvação que Ele traz.

 

Os adversários reclamam que Jesus os deixa em suspenso. O problema, porém, não está nas declarações e naquilo que Jesus afirma de si mesmo. O verdadeiro problema está nos adversários, que não querem acreditar. E não querem acreditar porque não pertencem a Jesus, porque não são seus, porque não pertencem às suas ovelhas.

 

Ao contrário, quando pertencemos a Jesus pela fé, nós podemos ouvir a sua voz: “As minhas ovelhas escutam a minha voz”. Ninguém pode compreender outra pessoa se não tiver por ela alguma simpatia. É isso o que Jesus nos ensina: todo aquele que busca, com sinceridade e verdade, conhecer Jesus acaba por acreditar e aderir ao testemunho que Ele dá de si mesmo. Sem o mínimo de simpatia inicial, não é possível relacionamento pessoal algum. Sem uma abertura inicial de busca, a fé não é acolhida. Se permanecemos apegados aos nossos preconceitos e aos nossos pressupostos excludentes, não poderemos conhecer realmente Jesus.

 

A partir dessa abertura inicial de fé, Jesus propõe a nós que façamos análise pormenorizada das suas obras para descobrirmos a unidade entre Jesus e o Pai. “Eu e o Pai somos um”. A unidade do Pai e do Filho é uma unidade de amor e de obediência. Descobrimos isso observando as obras de Jesus. O Pai dá ao Filho as ovelhas, e o Filho não permite que ninguém as tire de suas mãos da mesma maneira que ninguém pode arrebatar as ovelhas das mãos do Pai. Mais ainda: o Filho dá a vida eterna às ovelhas, por isso, elas jamais se perderão.

 

A mão indica a força, o poder, a capacidade de agir. A mão de Jesus – que é a mesma do Pai – defende as ovelhas, as liberta e lhes dá a vida que nada e ninguém fora dele pode dar: a vida eterna.

 

As mãos de Jesus foram pregadas na cruz. As marcas dos pregos são eternizadas no corpo glorioso! Não são mãos impotentes: são onipotentes no amor.

 

Eu e o Pai somos um. O plural “somos” mantém a distinção das pessoas, enquanto o singular “um” afirma a unidade das pessoas. Temos aqui o cume da revelação de Jesus. Pai e Filho são plena comunhão de amor, um único ser, um único agir, um único amor.

 

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