Comentário ao Evangelho do Dia – 26 de abril – Sexta-feira da oitava da Páscoa

26 de abril de 2019 08:00 -

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Jo 21,1-14

Após a morte e a ressurreição de Jesus, os apóstolos retornaram ao que eles faziam antes do chamado: voltaram ao antigo ofício de pescadores.

Eles se encontram no lago de Tiberíades, no lugar onde viveram com Jesus. A pesca não teve sucesso, e, ao alvorecer, Jesus aparece como a luz do sol nascente que se ergue diante dos olhos cansados destes homens. De novo os discípulos não o reconhecem. Por causa da luz da aurora? do reflexo do sol na água do lago?

Não são somente estes os motivos: a ressurreição é um fato transcendente; por isso, é preciso que Jesus se revele para que os discípulos possam reconhecer o Ressuscitado. A fé na ressurreição não foi a conclusão natural de raciocínios humanos, mas é dom que só o Ressuscitado pode despertar.

Jesus se faz reconhecer nos seus gestos: a pesca milagrosa, o convite à refeição, o oferecimento do pão e do peixe. Por estes gestos tão conhecidos, os discípulos podem constatar que se trata do mesmo Jesus que com eles percorreu as estradas da Judéia, pregando o Evangelho e curando todo tipo de doença; é o mesmo Jesus que comia com os pecadores, oferecendo-lhes o perdão; é o mesmo Jesus que multiplicou os pães e os peixes; o mesmo que realizou a pesca milagrosa!

É extraordinária a delicadeza de Jesus para com os discípulos. Ele prepara os discípulos através destes gestos antes de manifestar toda sua glória de ressuscitado. Depois da ressurreição, Jesus manifesta toda a glória de Filho de Deus, mas não a manifesta de uma vez. Antes, prepara pedagogicamente seus discípulos.

Os relatos das aparições nos ensinam muito sobre a natureza da ressurreição. Pensamos quase espontaneamente que ressurreição nos afaste de Jesus: Ele está na glória e nós aqui, neste vale de lágrimas; Ele está no céu, nós aqui na terra; Ele na eternidade, nós na história contingente. Contudo, o Evangelho nos ensina que a ressurreição não nos afastou dEle: agora Ele está mais presente, mais enviado, mais encarnado do que nunca. Sua presença não está mais sujeita aos condicionamentos de tempo e de espaço: Ele não é impedido pelas portas fechadas, está em todos os lugares ao mesmo tempo.

A presença de Jesus é universal e divina, mas é também uma presença com a mesma humanidade assumida na encarnação. Ele não se separou da humanidade: os discípulos podem tocar suas chagas, podem comer com Ele de novo.

Assim a ressurreição nos ensina a não procurar Jesus somente na glória externa. Pelo contrário, somos chamados a procurar a glória divina na humanidade glorificada de Jesus.

A consequência direta deste mistério é que podemos encontrar Jesus nos irmãos: Jesus se faz semelhante a eles na ressurreição. Somos chamados a procurar o Ressuscitado nos pobres: é neles que devemos reconhecer a glória do Senhor e a potência da sua ação divina que cumpre suas maravilhas nos humildes e simples. Durante sua vida terrena, Jesus se solidarizou, se aproximou e se identificou com os pobres. Com a ressurreição Jesus chega ao ápice de solidariedade, de proximidade e de identificação com os pobres ao ponto de poder dizer: “o que fizestes a um destes pequeninos a mim o fizestes”.

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