Comentário ao Evangelho do Dia – 03 de fevereiro

3 de fevereiro de 2019 08:00 -

03/02 – 4º Domingo do TC – Ano C – Lc 4,21-30

Por Dom Julio Endi Akamine SAC

 

Jesus afirma na Sinagoga de Nazaré: “hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Qual é a passagem da Escritura a qual Jesus se refere?

 

“O Espírito do Senhor está sobre mim,

pois ele me ungiu para anunciar o evangelho aos pobres:

enviou-me para proclamar a liberdade aos presos

e, aos cegos, a visão;

para pôr em liberdade os oprimidos

e proclamar um ano do agrado do Senhor” (cf. Is 61,1-2).

 

A boa notícia consiste na libertação de todas as opressões: Opressão física (cegos), econômica (pobres), política (os encarcerados).

A extensão e a profundidade do texto do profeta Isaías dependem do “eu” que o pronuncia. Até agora as pessoas liam o texto somente como arautos ou comunicadores, mas não como realizadores do que a profecia anuncia.

Com Jesus, finalmente, o texto é proclamado com o seu verdadeiro “eu”. A profecia não é só lida, mas realizada porque chegou aquele que cumpre o texto. Jesus não somente lê um texto da Escritura. Ele lê o seu texto, é ele que dá sentido ao texto. Ele é o Ungido pelo Espírito e por isso pode afirmar: “hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”.

Algumas pessoas reagem a isso com admiração. Serão eles que irão formar a primeira base da Igreja que será fundada sobre os apóstolos.

Infelizmente há outros que reagem mal à pretensão de Jesus. Alguns se escandalizam por causa da pessoa de Jesus. Não é este o filho de José? Eles supunham que o Messias de Deus deveria se mostrar de uma forma exterior maravilhosa e poderosa. E, no entanto, estão diante do filho do carpinteiro, daquele que tinha sido amigo de infância e de juventude. Jesus se apresenta como homem no meio dos homens e, mesmo assim, afirma ser ele o próprio Messias esperado.

A pregação de Jesus é atraente e, ao mesmo tempo, desconcertante. Jesus reivindica para si o “eu” da profecia de Isaías, mas isso não combina com o que eles conhecem de Jesus e da história que partilharam por trinta anos com ele.

Há outra razão para a rejeição: eles querem que Jesus faça milagres; pretendem que Jesus se apresente como um “guru milagreiro”, um “curandeiro” espetacular que se imponha pela força dos milagres que realiza. Na verdade essa imposição dos conterrâneos de Jesus repete a terceira tentação de satanás (4,9): “se és o Filho de Deus, lança-te daqui abaixo, pois está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus anjos a teu respeito para que te guardem’, e, ‘nas mãos te carregarão, para que não firas o teu pé em alguma pedra’”.  Eles exigem de Jesus milagres inúteis e sem justificativa. Ora exigir de Deus (e de Jesus que é Deus) milagres para que Ele prove ser Deus é tentar a Deus. Essa exigência de milagres é ainda maior em relação a Jesus, uma vez que ele se apresenta como aquele que cumpre a profecia de Isaías. Eles, porém, estão diante de Jesus pobre e humilde, que se recusa a fazer milagre inúteis.

Celebrar a eucaristia é se colocar diante de Jesus e ter que decidir. Todos nós precisamos ouvir de novo: “hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir”. Todos nós precisamos avaliar com seriedade o escândalo que implica a fé em Jesus Cristo. Temos consciência de que Deus veio ao nosso encontro na pessoa de Jesus de Nazaré: morte, crucificado e ressuscitado? Não temos nós também a mesma atitude de alguns conterrâneos de Jesus: exigimos milagres? Exigimos privilégios? Buscamos a Jesus ou os seus milagres?

 

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